O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), que não pretende afastá-lo do cargo neste momento, segundo informação publicada por Tales Faria no Correio da Manhã. O senador foi alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (18), que investiga fraudes envolvendo o Banco Master. Ao autorizar a operação, o ministro do STF André Mendonça, relator do caso, afirmou que Wagner é apontado pela PF como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas.
De acordo com a reportagem, Wagner disse a Lula estar “tranquilo quanto a provar a inocência”, mas sugeriu que poderia deixar o cargo se o presidente assim desejasse. Lula respondeu que não teve oportunidade de se defender no caso da Lava Jato e que não fará isso com ninguém, pedindo que o senador “brigue por sua inocência”. A conversa, feita por telefone enquanto Wagner estava na Bahia, foi classificada pelo senador como uma “manifestação de solidariedade” do presidente.
Segundo Tales Faria, a avaliação no Palácio do Planalto é de que não haveria ganho político em afastar Wagner, já que o estrago político já estaria feito desde a deflagração da operação — e que a saída poderia até soar como confissão de culpa. A reportagem destaca ainda que o PT está dividido sobre o tema: o ex-líder na Câmara Rogério Correia (MG) defendeu publicamente que Wagner deveria se afastar da liderança para se dedicar à própria defesa.




