A reportagem da revista Veja sobre uma suposta nova proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — que cita pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e negócios com o PT da Bahia — teve um efeito político inesperado: aproximou, ao menos momentaneamente, Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Os dois estavam praticamente rompidos desde que o Senado derrubou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). É o que analisa Tales Faria no Correio da Manhã.
No plenário do Senado, nesta terça-feira, 16 de junho, Alcolumbre fez um pronunciamento inflamado negando as acusações: “Jamais recebi aqueles valores, ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja”, afirmou, classificando as alegações como “inteiramente falsas” e prometendo responsabilizar “aqueles que promoveram essas calúnias”. Em seguida, Wagner subiu à tribuna para se solidarizar com o presidente da Casa e rebater as menções ao PT da Bahia, chamando a reportagem de “instituto da leviandade” e lembrando que a própria Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram a existência da delação.
A reaproximação, no entanto, ainda é superficial. Conforme aponta Tales Faria, velhas feridas permanecem abertas: Alcolumbre ainda culpa Wagner por ter trabalhado contra a indicação do senador Rodrigo Pacheco ao STF, enquanto o líder do governo acredita ter sido usado como pretexto pelo presidente do Senado para acirrar o conflito com o Palácio do Planalto. O aceno de cabeça trocado entre os dois ao fim das falas resume bem o estado da relação: cordial, mas distante.
Texo completo no Correio da Manhã.




