O Partido Novo vive um dilema silencioso às vésperas das eleições de 2026: seus parlamentares concordam com as críticas do pré-candidato da sigla, o ex-governador Romeu Zema, ao envolvimento do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas preferem o silêncio público a arriscar um rompimento com o campo bolsonarista. A análise é do jornalista Tales Faria, publicada nesta segunda-feira no Correio da Manhã.
A crise estourou após Zema declarar nas redes sociais que “ouvir Flávio Bolsonaro cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável” e equivale a “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. A resposta do clã foi dura: Eduardo Bolsonaro ameaçou romper com o Novo, e Carlos Bolsonaro acusou Zema de agir com “desonestidade” e de servir ao fortalecimento do presidente Lula. Os ataques foram suficientes para calar a maior parte da bancada da sigla.
Poucos parlamentares, como o deputado Ricardo Salles (Novo-SP), vieram a público endossar as críticas de Zema à “promiscuidade absoluta” do PL com o centrão — mas ainda assim defendem Flávio como alternativa preferível ao PT. Reservadamente, integrantes do partido torcem pelo surgimento de um nome mais forte na direita. Se isso não ocorrer, o Novo deverá seguir seu caminho já conhecido: engolir em seco os desaforos do clã Bolsonaro, com a perspectiva de que essa hostilidade só tende a crescer caso a família chegue ao Palácio do Planalto.




