O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou sua participação no G7 — encontro das sete maiores economias capitalistas do mundo — como plataforma de campanha para a reeleição. A análise é do jornalista Tales Faria, publicada nesta quarta-feira (18) no Correio da Manhã. Segundo Faria, o momento mais estratégico da viagem não foi o encontro com Donald Trump, mas a declaração que Lula fez a uma plateia de peso: “Eu nunca fui esquerdista.”
A frase foi dita em conversa com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva. Quando Georgieva lembrou que, no primeiro mandato de Lula, todos esperavam um governo socialista — o que não ocorreu —, o presidente respondeu resgatando sua trajetória no sindicalismo internacional. Para Tales Faria, o recado era direcionado aos eleitores independentes e indecisos, num cenário em que parte da direita pode se consolidar em torno do bolsonarismo em 2026.
Já o encontro com Trump foi, nas palavras do próprio Lula antes da viagem, apenas um início de conversa — e foi exatamente isso. Os dois cruzaram num corredor; Trump deu um tapinha no ombro do brasileiro e disse “Good job”. Sem decisões, sem acordos, sem nenhum desfecho definitivo para qualquer dos lados. Para Faria, Lula volta do G7 com o que realmente buscava: material para sua campanha.




