O jornalista Tales Faria revelou, em sua coluna no Correio da Manhã, que a possível CPI do banco Master deve continuar engavetada — mesmo após a revista Veja noticiar que o dono do banco, Daniel Vorcaro, teria declarado à Polícia Federal ter feito um pagamento de US$ 30 milhões ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e relatado envolvimento do PT da Bahia, incluindo o ex-governador Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil.
Segundo Tales Faria, tanto governo quanto oposição resistem à instalação da comissão. Na Câmara, o pedido de CPI já foi protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) desde fevereiro, com assinaturas suficientes — mas o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que seguirá o Regimento, o que obriga a instalação prévia de outras 15 CPIs. No Senado, a abertura depende justamente de Alcolumbre, que seria um dos delatados. Ouvidos pela coluna, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, e o ex-líder do PT, Humberto Costa, afirmaram, cada um a seu modo, não acreditar na instalação da CPI no atual momento eleitoral.
A reportagem de Tales Faria destaca ainda a contradição política exposta pelo caso: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, chegou a subir à tribuna para exigir a CPI após o Intercept Brasil revelar que ele próprio havia pedido dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai. Para o jornalista, o desfecho já está dado: a CPI do Master vai ficar por isso mesmo.




