O encontro de Flávio Bolsonaro com a bancada do PL nesta terça-feira (19) terminou longe do resultado que o senador esperava. Em vez de sair com o respaldo do partido, Flávio deixou parlamentares ainda mais inquietos com o escândalo envolvendo sua aproximação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — atualmente monitorado com tornozeleira eletrônica. A revelação de um encontro presencial entre os dois, ocorrido mesmo após o início das investigações, foi a principal surpresa da reunião e azedou o clima entre os aliados. O jornalista Tales Faria detalha os bastidores da crise em sua coluna no Correio da Manhã.
Segundo Faria, a principal conclusão que circula agora entre deputados e senadores do PL — especialmente os que não integram o núcleo bolsonarista — é que não é possível deixar inteiramente nas mãos do clã Bolsonaro os rumos da campanha eleitoral, tanto nos estados quanto para a presidência da República. O partido entende que o vazamento do pedido de recursos a Vorcaro foi um golpe significativo contra a candidatura de Flávio, mas prefere aguardar para avaliar o impacto real sobre o eleitorado. O problema é que a reunião, que deveria encerrar o assunto, revelou mais perguntas do que respostas.
O cenário descrito pelo jornalista aponta para uma possível reconfiguração da campanha do PL. Se Flávio Bolsonaro precisar deixar a disputa presidencial, o partido já sinaliza que a escolha do substituto não caberá exclusivamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro: a decisão deverá ser coletiva e poderá incluir aliados do centrão. A federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, já indicou que qualquer aliança com o PL terá que ocorrer em novos termos. Michelle Bolsonaro aparece como possível nome alternativo, mas apenas se chancelada pelo conjunto do partido.




