O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na tentativa de garantir celeridade na tramitação da PEC que extingue a escala 6×1 após sua aprovação na Câmara. A iniciativa, no entanto, não produziu resultados: Alcolumbre não quis assegurar sequer que a votação seria rápida. É o que revela o jornalista Tales Faria em coluna publicada nesta terça-feira, 26, no Correio da Manhã. A conclusão de Motta foi direta: “Penso que lá as coisas só irão andar após a conversa dele com o presidente.”
O impasse tem raízes na ruptura entre Lula e Alcolumbre após a derrota da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Os dois estão praticamente sem se falar desde então. Na posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, em 12 de maio, foram forçados a sentar lado a lado na mesa de autoridades — e evitaram até trocar olhares. O mal-estar é público, mas ambos têm interesse em superá-lo, desde que cada um possa sair do encontro com a sensação de ter sido atendido.
As razões para a reconciliação são concretas de ambos os lados. Lula depende de Alcolumbre para avançar com diversas pautas no Senado até o fim do ano, incluindo a própria PEC do 6×1. Alcolumbre, por sua vez, precisa do apoio do governo federal nas eleições do Amapá e mira a reeleição ao comando do Senado em 2027. Como ficou claro para Hugo Motta, o nó só será desatado com um encontro direto entre os dois chefes de Poder.




