José Múcio: “Não temos como nos preparar para uma guerra mundial”

Ministro da Defesa, José Múcio. | Foto: José Cruz/ Agência Brasil
Ministro da Defesa, José Múcio. | Foto: José Cruz/ Agência Brasil
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou ao jornalista Tales Faria, do Correio da Manhã, que o Brasil não tem como se preparar para uma guerra mundial e que a diplomacia é a única arma disponível diante da escalada entre EUA e Irã. A análise revela ainda a preocupação do governo Lula com os efeitos do conflito internacional sobre o cenário político interno às vésperas das eleições de 2026.

O ministro da Defesa, José Múcio, foi direto ao responder uma pergunta sobre os riscos de uma guerra mundial diante da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã: “Morre todo mundo.” A declaração foi dada ao jornalista Tales Faria, do Correio da Manhã, e resume a avaliação do governo Lula sobre um cenário que, segundo Múcio, está sim sendo considerado pelos comandantes militares e pela cúpula da diplomacia brasileira. Questionado se o Brasil se prepara para essa hipótese, o ministro foi categórico: “Não temos como nos preparar para isso. Nossa principal arma continua sendo a diplomacia, o apelo para a racionalidade.”

Tales Faria aponta, em sua análise publicada no Correio da Manhã, que essa postura de Múcio não é novidade — o ministro tem o hábito de dizer o óbvio com franqueza incomum no meio político. Ele já alertou publicamente, por exemplo, que as Forças Armadas brasileiras teriam munição para apenas 30 dias de conflito. Agora, o diagnóstico é ainda mais grave: diante de Donald Trump e dos aiatolás iranianos — dois atores que o próprio governo Lula considera imprevisíveis e pouco afeitos a recuar — o Brasil reconhece que seu papel se limita ao campo diplomático. O ex-ministro Celso Amorim, principal referência do presidente Lula na área, compartilha da mesma leitura: o risco de o conflito se tornar incontrolável é real.

A grande preocupação interna, conforme revela a reportagem de Tales Faria, não é apenas o conflito em si, mas seus reflexos sobre o ambiente político brasileiro às vésperas das eleições de outubro. Analistas do governo alertam que, embora o Brasil não possa controlar o clima internacional belicoso, é possível — e necessário — blindar a política nacional contra essa contaminação. Em um país polarizado, os ânimos da opinião pública podem se inflamar tão rapidamente quanto o combustível das guerras.

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