“Erramos.” A palavra é do próprio jornalista Tales Faria, em vídeo publicado em seu canal no YouTube. Ele admite que, assim como a maioria dos analistas políticos, acreditava que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não levaria até o fim a queda de braço contra o presidente Lula na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota do nome no plenário do Senado foi, nas palavras de Faria, uma lavada — e obriga a uma reavaliação do que move as decisões de Alcolumbre.
O erro, explica Faria, tinha como base que Alcolumbre precisa do apoio do Palácio do Planalto para a eleição no Amapá, onde seu candidato a governador, Clécio Luiz, aparece atrás nas pesquisas para o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, do PSD. A situação eleitoral do grupo de Alcolumbre no estado não é confortável. Mesmo assim, o presidente do Senado trabalhou contra a indicação de Messias — porque se sentiu traído quando Lula ignorou sua sugestão de nome para o STF, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e enviou ao Congresso o ex-assessor de Jaques Wagner sem qualquer negociação prévia.
O verdadeiro plano B de Alcolumbre, segundo Tales Faria, não é impor um nome específico, mas garantir que qualquer futuro indicado ao Supremo passe por uma negociação com o Senado antes de ser tornado público. A dúvida que fica no ar é se Lula vai ceder a essa lógica ou decidir enfrentar o presidente do Senado — que, como lembra Faria, tem nas mãos o poder de pautar ou segurar indefinidamente qualquer sabatina. O jornalista compara Alcolumbre a figuras como Brizola, Antônio Carlos Magalhães e o próprio Lula: políticos que fogem às previsões e surpreendem eu muitas de suas decisões. Os próximos capítulos dessa novela, conclui Faria, dirão se Lula vai negociar ou “trucar”, como querem no PT.
Confira o vídeo na íntegra.




