O ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), descartou concorrer em Minas Gerais nas eleições de 2026 após o rompimento com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que deverá anunciar sua candidatura ao Palácio da Liberdade até o final de abril ou início de maio. Segundo análise do jornalista Tales Faria, publicada no Correio da Manhã, Silveira ficou sem espaço tanto na chapa ao governo estadual quanto ao Senado, e optou por permanecer no cargo federal. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), deve integrar a chapa de Pacheco como candidata ao Senado, enquanto o senador negocia com União Brasil, PDT e MDB as demais vagas.
O cenário mineiro reflete uma estratégia maior do PSD nacional. De acordo com Tales Faria, o presidente do partido, Gilberto Kassab, decidiu usar Minas Gerais para equilibrar a posição da legenda entre governo e oposição: enquanto mantém alianças com Lula no Rio de Janeiro e no Nordeste, aposta no oposicionismo em MG com a filiação de Mateus Simões e do senador Carlos Viana, além do apoio à pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. A aposta de Kassab é que, independentemente do resultado em 2026, o PSD estará bem posicionado — seja com Lula ou com um eventual governo bolsonarista.
Já a permanência de Silveira no ministério tem duas versões em circulação, conforme apurado por Tales Faria. A primeira é que o ministro convenceu Lula de que pode ser útil para dividir o PSD mineiro num eventual segundo turno presidencial, evitando apoio maciço ao candidato do bolsonarismo. A segunda, vinda do Palácio do Planalto, é que o presidente simplesmente não quis mexer na pasta em meio à crise internacional do petróleo provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã — cujos desdobramentos sobre os preços de combustíveis e a inflação global ainda são imprevisíveis.




