O PT e o governo federal identificaram o jabuti que o centrão pretende embutir na PEC que extingue a jornada de trabalho 6×1: a retomada e ampliação da desoneração da folha de pagamentos, política que permite a determinados setores da economia substituir a contribuição previdenciária patronal ao INSS por uma alíquota menor sobre a receita bruta. A manobra foi antecipada pelo jornalista Tales Faria em sua coluna no Correio da Manhã. O governo Lula havia conseguido aprovar, em 2024, o fim gradual dessa desoneração até 2027 — mas agora o centrão quer reverter esse avanço usando como veículo uma proposta de forte apelo popular.
A estratégia do centrão consiste em pegar carona nas PECs apresentadas pelo PSOL e pelo PT para o fim da escala 6×1 e incluir no texto a volta da desoneração, desta vez ampliada para além dos 17 setores que já contavam com o benefício. O argumento será de que a redução da jornada impacta um número maior de empresas, que poderiam empregar mais trabalhadores com o alívio fiscal. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acelerou a tramitação da proposta e designou como relator o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), de sua total confiança, que anunciou a intenção de aprovar a PEC ainda em maio.
O risco apontado pelo PT é grave: aprovada por meio de PEC, a medida não poderia ser vetada pelo Executivo. “Teremos uma verdadeira Bolsa Empresário, e o centrão ainda posará de bonzinho, junto com a oposição”, alertou ao jornalista Tales Faria um petista envolvido nas articulações. Hugo Motta, que segundo Faria não era entusiasta da proposta no início, agora se apresenta como defensor histórico da causa e anunciou que a primeira audiência pública externa da Comissão Especial ocorrerá na Paraíba, seu estado, na próxima quinta-feira, dia 7 de maio.




