O Palácio do Planalto não acha mais possível evitar a CPI do INSS, tanto na Câmara como no Senado.
Para o governo, a adesão de parlamentares do PT, ou seja, a falta de solidariedade do partido, tornou a CPI Mista do INSS inevitável.
Situação semelhante ocorreu no governo Dilma Rousseff.
O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi acusado de mentir na CPI da Petrobras. Ele avisou que abriria o processo de impeachment contra Dilma se o PT votasse pela abertura de processo contra ele na Comissão de Ética.
Mas o PT não foi solidário com sua presidente, e Eduardo Cunha revidou aceitando o processo de impeachment contra Dilma. O resultado é que a petista foi expulsa do Palácio do Planalto.
Agora a história meio que se repete, não sei se como farsa ou como tragédia: deputados e senadores do PT não querem dividir com o governo Lula o ônus do escândalo do INSS.
Depois que os primeiros petistas assinaram o requerimento de CPI, praticamente toda a bancada acabará assinando. Incluindo os partidos de esquerda aliados.
A deputada Tábata Amaral, do PSB, por exemplo, já está se dizendo “com sangue nos olhos” para assumir a relatoria.
Isso dá aos parlamentares do centrão o discurso para também aderirem em massa à CPI. Por isso a essa altura do campeonato a sua instauração já se tornou inevitável.
O governo agora vai tentar minimizar os estragos espalhando a lama para os aliados de Bolsonaro.
Fala-se que o esquema tomou forma no governo anterior, quando o INSS esteve subordinado aos ex-ministros Paulo Guedes, Rogério Marinho e ônyx Lorenzoni.
Onyx Lorenzoni, por exemplo foi ministro da Casa Civil e ministro do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro. Teria recebido R$ 60 mil de doação para sua campanha a deputado de uma empresa que arrecadou R$ 143 milhões do esquema no INSS.
É certo que isso também atingirá parlamentares do centrão. Ou seja, essa Comissão Parlamentar tem tudo para se tornar uma autêntica CPI do fim do mundo. Fere o governo, a oposição e quem estiver no meio do caminho.
Mas tem maior potencial para dificultar os interesses do presidente Lula no Congresso, especialmente às vésperas da eleição do ano que vem.




