O Senado retoma os trabalhos sob um grande acordo entre o governo e o centrão para reeleger Davi Alcolumbre (União-AP) presidente da Casa na próxima legislatura. Os últimos pontos ainda estão sendo acertados.
O acordo deve isolar a oposição liderada pelos bolsonaristas, blindar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) contra impeachments e empossar o novo integrante da Corte.
Quem será o novo ministro do STF?
A dúvida está entre Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) apadrinhado por Alcolumbre, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, preferido de Lula. A disputa entre os dois causou uma longa queda de braço. Ela só foi pacificada pelo risco de Lula e Alcolumbre serem derrotados na tentativa de se manterem no comando do Senado e do Palácio do Planalto. Agora eles se acertaram.
O que muda para o PL e para Rogério Marinho?
Está definido que Lula apoiará a reeleição de Alcolumbre. Isso desbanca Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, que o PL esperava ver na presidência do Senado em caso de vitória nas eleições presidenciais. Com Flávio derrotado, acabaram as chances de Marinho.
Como ficou a divisão de forças no Senado?
Os partidos eleitos se dividiram em 32 senadores de extrema direita (PL + Novo), 16 de esquerda (PT + PSB + PDT + Rede) e 12 do chamado centro democrático (MDB + PSD). Tornaram-se decisivos os 21 integrantes do centrão (PP + União + Republicanos + Podemos + PSDB), incluindo Romário, sem partido.
Ao anunciar apoio a Alcolumbre, o centrão deixou a extrema direita isolada. O presidente do Senado já estava fechado com o Planalto, assim como o centro democrático. O bloco ligado ao governo na próxima legislatura, “por obra e graça da articulação de Alcolumbre”, terá 49 senadores. São três quintos da Casa, o suficiente para aprovar emendas constitucionais.
Por que o STF fica blindado?
O impeachment de ministros do STF é pautado exclusivamente pelo presidente do Senado. Alcolumbre é aliado de primeira hora do grupo de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Portanto, blindará ambos.
O que Alcolumbre já entregou?
Ele pautou para esta terça-feira, 3, a votação da PEC da Segurança. A proposta reorganiza o sistema de segurança pública, define novas competências entre União e entes federados e prevê mais recursos para a área, com a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição.
Lula considera a aprovação absolutamente prioritária para criar, ainda neste governo, o Ministério da Segurança. O nome do futuro ministro (ou ministra) está sendo guardado a sete chaves no Planalto.
O acordo prevê ainda a aprovação do Orçamento de 2027, das medidas provisórias das bets e do novo Desenrola, além de um pacote fiscal ainda em elaboração pelo governo.
Análise publicada originalmente no Correio da Manhã, em 3 de novembro de 2026. Leia a coluna completa.




