Reeleição de Alcolumbre: acordo isola o PL no Senado

Davi Alcolumbre comemora com senadores governistas a derrubada da PEC 6x1, no plenário do Senado. Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.
Davi Alcolumbre comemora com senadores governistas a derrubada da PEC 6x1, no plenário do Senado. Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.
Acordo pela reeleição de Alcolumbre une governo e centrão, isola o PL no Senado, blinda o STF e destrava a PEC da Segurança e o Orçamento de 2027.

O Senado retoma os trabalhos sob um grande acordo entre o governo e o centrão para reeleger Davi Alcolumbre (União-AP) presidente da Casa na próxima legislatura. Os últimos pontos ainda estão sendo acertados.

O acordo deve isolar a oposição liderada pelos bolsonaristas, blindar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) contra impeachments e empossar o novo integrante da Corte.

Quem será o novo ministro do STF?

A dúvida está entre Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) apadrinhado por Alcolumbre, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, preferido de Lula. A disputa entre os dois causou uma longa queda de braço. Ela só foi pacificada pelo risco de Lula e Alcolumbre serem derrotados na tentativa de se manterem no comando do Senado e do Palácio do Planalto. Agora eles se acertaram.

O que muda para o PL e para Rogério Marinho?

Está definido que Lula apoiará a reeleição de Alcolumbre. Isso desbanca Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, que o PL esperava ver na presidência do Senado em caso de vitória nas eleições presidenciais. Com Flávio derrotado, acabaram as chances de Marinho.

Como ficou a divisão de forças no Senado?

Os partidos eleitos se dividiram em 32 senadores de extrema direita (PL + Novo), 16 de esquerda (PT + PSB + PDT + Rede) e 12 do chamado centro democrático (MDB + PSD). Tornaram-se decisivos os 21 integrantes do centrão (PP + União + Republicanos + Podemos + PSDB), incluindo Romário, sem partido.

Ao anunciar apoio a Alcolumbre, o centrão deixou a extrema direita isolada. O presidente do Senado já estava fechado com o Planalto, assim como o centro democrático. O bloco ligado ao governo na próxima legislatura, “por obra e graça da articulação de Alcolumbre”, terá 49 senadores. São três quintos da Casa, o suficiente para aprovar emendas constitucionais.

Por que o STF fica blindado?

O impeachment de ministros do STF é pautado exclusivamente pelo presidente do Senado. Alcolumbre é aliado de primeira hora do grupo de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Portanto, blindará ambos.

O que Alcolumbre já entregou?

Ele pautou para esta terça-feira, 3, a votação da PEC da Segurança. A proposta reorganiza o sistema de segurança pública, define novas competências entre União e entes federados e prevê mais recursos para a área, com a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição.

Lula considera a aprovação absolutamente prioritária para criar, ainda neste governo, o Ministério da Segurança. O nome do futuro ministro (ou ministra) está sendo guardado a sete chaves no Planalto.

O acordo prevê ainda a aprovação do Orçamento de 2027, das medidas provisórias das bets e do novo Desenrola, além de um pacote fiscal ainda em elaboração pelo governo.

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Análise publicada originalmente no Correio da Manhã, em 3 de novembro de 2026. Leia a coluna completa.

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