A aprovação da PEC da Segurança Pública no Senado, por 73 votos a zero, tem três responsáveis na avaliação dos próprios senadores: Davi Alcolumbre (União-AP), o deputado André Janones (Rede-MG) e o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo.
A votação marca o início da estratégia que Lula definiu para este último mandato: manter boa relação com o Congresso sem se entregar ao puro toma lá, dá cá. Como contrapeso às pressões políticas, ele pretende usar a “voz das ruas”, que funcionou no segundo turno das eleições.
Por que Alcolumbre, Janones e Gakiya são os heróis da votação?
Alcolumbre foi o principal articulador e trouxe o centrão em peso. Janones manteve ativo o “Exército do Lula”, sempre pronto a atacar políticos que se coloquem contra teses de amplo apoio popular. Muitos dos 73 senadores que votaram a favor formam fileira na oposição, mas fugiram das críticas da opinião pública.
Gakiya entra na lista porque o Planalto deixou vazar que ele é o nome preferido de Lula para chefiar o novo Ministério da Segurança Pública, prometido para os próximos dias. O promotor é considerado um herói na luta contra o crime organizado, e a escolha tem apoio amplo entre governistas e oposicionistas.
Quem será o primeiro ministro anunciado?
Se Gakiya aceitar o convite, deve ser o primeiro nome anunciado do próximo mandato. Ele assumiria ainda neste mandato e permaneceria após a transição. A expectativa no Planalto é que Lula anuncie o ministério e seu chefe antes da viagem à Turquia e às Filipinas.
Quem mais pode entrar no governo Lula?
Haddad, que perdeu a eleição em São Paulo, deve manter um bom cargo. Tem sido consultado sobre nomes para a Fazenda, e Lula, preocupado com a falta de quadros no PT, acha que ele ainda tem eleições a disputar pelo partido.
Marina Silva e Simone Tebet também não serão deixadas de lado. Marina é considerada um patrimônio mundial na área ambiental. Simone é um caso mais problemático, porque precisará ser bancada na cota do PSB, mas Lula é grato à sua fidelidade.
Lula quer Renan Calheiros (MDB-AL) no primeiro escalão, apesar de ele estar sem mandato. Renan tem a seu favor a ligação com o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, e o fato de o filho ser senador.
O que o PSD e o Republicanos significam para a base?
Na votação, o PSD de Gilberto Kassab mostrou-se tão à vontade com o governo quanto o MDB. Os dois partidos lideram o chamado centro democrático, próximo ao centrão, mas que não aceita a liderança do PP e do União Brasil. Já entram nas contas de Lula para a base.
Hugo Motta, presidente da Câmara, é do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal e ao qual é filiado o governador paulista Tarcísio de Freitas. Lula precisa abrir uma cunha na sigla para eleições futuras. Já o Cidadania, ex-PCB, está rachado: o grupo de oposição cerrada ao governo assumiu a legenda, e alguns deles fizeram campanha para Flávio Bolsonaro. Motta articula a fusão com o Republicanos.
O que vem agora
Lula só pretende divulgar o ministro da Fazenda na volta da viagem à Turquia (COP31, dias 11 e 12, em Antália) e às Filipinas (cúpula da Asean, dias 14 e 15, em Manila). Pode deixar a decisão até depois do encontro com Donald Trump, esperado na cúpula do G20 em Miami, em dezembro. O mercado que espere.
Leia também
Reeleição de Alcolumbre: acordo isola o PL no Senado
Análise publicada originalmente no Correio da Manhã, em 4 de novembro de 2026. Leia a coluna completa.




