A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes uma explicação sobre o episódio em que uma arma de sua propriedade foi encontrada no carro de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Segundo os advogados, medicações psiquiátricas administradas a Bolsonaro, “capazes de afetar sua cognição”, teriam levado a equipe de segurança, sem o conhecimento do ex-presidente, a retirar o percussor da pistola Glock 9 mm, tornando-a inoperante. A mesma linha de defesa já havia sido usada para justificar o rompimento da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.
De acordo com a petição, o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante da segurança pessoal de Bolsonaro, levava a arma para conserto quando foi detido em uma blitz. A defesa afirma que o próprio ex-presidente percebeu que a pistola não funcionava ao acionar o ferrolho, sem necessidade de disparo, e que esse manuseio não teve “qualquer relação com a proximidade do término do período de prisão domiciliar humanitária”, que se encerra nesta quinta-feira, 25.
O colunista Tales Faria observa que a explicação da defesa abre contradições: se Bolsonaro estava sob efeito de medicação capaz de afetar sua cognição, a manipulação da arma não deveria ter ocorrido. Faria lembra ainda que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro argumentou, para obter a prisão domiciliar, que o ex-presidente teria alguém vigiando-o em casa. Para o colunista, cabe agora a Alexandre de Moraes responder se há relação entre o episódio da arma e o fim da prisão domiciliar, e se Bolsonaro pode manipular armas em meio a um quadro alegado de “confusão cognitiva”.
A matéria completa foi publicada por Tales Faria no Correio da Manhã.




