Lula decepcionado com Galípolo: BC eleva previsão de inflação e juros seguem pressionando a dívida pública

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
O Banco Central revisou para cima a estimativa do IPCA em 2026, e o presidente Lula responsabiliza o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, pela manutenção dos juros elevados. O jornalista Tales Faria, no Correio da Manhã, revela os bastidores de uma decepção política que Lula compara a erros cometidos em indicações ao STF.

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 1º de junho, trouxe nova revisão para cima na estimativa de inflação: o IPCA de 2026 passou de 5,04% para 5,09%, acumulando a décima segunda elevação consecutiva na projeção. A guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis, é apontada pelo mercado como principal fator de alta. A taxa Selic, que chegou a 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026 — o maior patamar em quase duas décadas —, está hoje em 14,50%, e sua manutenção em níveis elevados pressiona a dívida pública e dificulta o ajuste fiscal do governo.

O nome no centro da insatisfação do Palácio do Planalto é Gabriel Galípolo. Indicado pelo próprio presidente Lula para o comando do Banco Central, Galípolo construiu uma trajetória de proximidade com o governo: atuou na campanha eleitoral de 2022, integrou a equipe de transição, chefiou a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda e foi diretor de Política Monetária antes de assumir a presidência da instituição em janeiro de 2025. A expectativa era de que promovesse uma virada gradual nos juros em relação à gestão de Roberto Campos Neto. Não aconteceu. O ministro Fernando Haddad chegou a declarar publicamente que, por ele, a Selic já teria caído “há muito tempo”.

Como revela o jornalista Tales Faria no Correio da Manhã, o sentimento de Lula em relação a Galípolo é de decepção — comparável, segundo o próprio presidente, aos erros cometidos em indicações ao Supremo Tribunal Federal durante seus dois primeiros mandatos: uma vez empossados, nada mais pode ser feito. O economista Bresser Pereira, que apresentou Galípolo a Lula, chegou a publicar artigo chamando o ex-pupilo de traidor. Agora, com a inflação pressionada e os juros sem perspectiva de queda significativa, resta ao governo resmungar.

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