O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou ao ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, que deseja recompor a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas impõe uma condição: quer um gesto concreto do senador antes de marcar qualquer encontro. A exigência está diretamente ligada à tramitação da PEC que substitui a jornada 6×1 pela 5×2, aprovada na Câmara e aguardando votação no Senado ainda em junho, segundo o jornalista Tales Faria, em análise publicada no Correio da Manhã.
A crise entre Lula e Alcolumbre se aprofundou após o presidente do Senado articular a derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, Alcolumbre tem enviado sinais contraditórios — ora sinalizando apoio ao governo, ora se aproximando da oposição. O impasse também afetou a relação de Lula com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), cotado para ser relator da PEC e possível candidato a governador de Minas Gerais em chapa apoiada pelo governo federal.
Segundo Tales Faria, há pelo menos quatro momentos na tramitação da PEC em que Alcolumbre poderá sinalizar de que lado está: o encaminhamento do texto à CCJ, a escolha do relator, o eventual envio à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) — onde a resistência é maior — e, por fim, a definição da data da votação em plenário. Cada um desses passos será lido pelo Palácio do Planalto como termômetro do real interesse do presidente do Senado em se reaproximar do governo.




