PL cospe fora Claudio Castro, mas engole as amargas suspeitas contra Flávio Bolsonaro

Crédito: Wilson Dias-Agência Brasil
Crédito: Wilson Dias-Agência Brasil
Cláudio Castro cedeu a pressões internas e desistiu de disputar o Senado. Mas o PL adota critério diferente com Flávio Bolsonaro, candidato à presidência envolto em suspeitas ainda mais pesadas.

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) anunciou nesta quinta-feira, 27, que não será candidato ao Senado, cedendo a pressões internas do próprio partido. Conforme apuração do jornalista Tales Faria publicada no Correio da Manhã, o recuo de Castro ocorre em meio a investigações graves: a Polícia Federal apreendeu seus celulares e computador em operação que apura suposto beneficiamento à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em fraudes e evasão de impostos. Além disso, a Operação Compliance Zero revelou encontros entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, período em que o Rioprevidência realizou aportes milionários na instituição.

O argumento usado internamente no PL para justificar a pressão sobre Castro foi de ordem eleitoral: carregando suspeitas desse porte, ele não teria condições de conquistar votos suficientes para se eleger. Para seu lugar, o nome mais cotado é o do líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), principal porta-voz do pastor Silas Malafaia no Congresso. No entanto, Tales Faria destaca uma inconsistência flagrante nessa lógica: o candidato do PL à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, também está envolto em suspeitas ligadas a Vorcaro — inclusive uma troca de mensagens flagrada pela PF em que teria pedido R$ 134 milhões ao banqueiro, além de encontro presencial quando este já cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Ainda assim, o PL decidiu aguardar o desdobramento das pesquisas antes de tomar qualquer decisão sobre Flávio. A diferença de tratamento, segundo a análise publicada no Correio da Manhã, tem explicação política direta: Flávio é herdeiro do sobrenome Bolsonaro e candidato chancelado pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que na prática comanda as candidaturas do partido em todo o país — inclusive contra a vontade do presidente oficial da sigla, Valdemar Costa Neto, que preferia Michelle Bolsonaro. A leitura é que foi do ex-presidente a ordem que define os dois pesos e duas medidas dentro do PL.

Leia mais a análise publicada no Correio da Manhã.

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