O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a terça-feira, 26 de maio, enviando sinais ao governo Lula de que tem poder para retardar — ou complicar — a tramitação da proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. A análise é do jornalista Tales Faria, publicada no Correio da Manhã.
Segundo Tales Faria, Alcolumbre recebeu cerca de 30 representantes de entidades empresariais, entre eles Paulo Skaf (Fiesp) e Ricardo Alban (CNI), e posou sorridente para fotos ao lado de parlamentares da oposição que defendem alterações no texto aprovado pela Câmara. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentou apressar a votação no Senado, mas saiu do encontro com Alcolumbre sem qualquer definição sobre a tramitação do projeto. A tensão entre os dois presidentes das Casas legislativas, observa o jornalista, reflete um problema maior: Lula e Alcolumbre estão praticamente sem se falar desde a derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF.
O imbróglio político tem custos mútuos. Lula depende de Alcolumbre para essa e outras pautas que passarão pelo Senado até o fim do ano. Alcolumbre, por sua vez, precisa do apoio do governo nas eleições do Amapá e para sua reeleição ao comando do Senado em 2027. Como o próprio Hugo Motta avaliou a aliados, o nó só será desatado depois que os dois conversarem pessoalmente. Enquanto isso não ocorre, Lula tem repetido a interlocutores que não deseja uma guerra aberta — mas que não se deixará atropelar.




