O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse a aliados que torce para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetir a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A informação é do jornalista Tales Faria, publicada no Correio da Manhã. Messias foi rejeitado pelo plenário do Senado em 29 de abril, por 42 votos a 34 — uma derrota histórica do Executivo, a primeira desde 1894. O próprio Alcolumbre articulou a rejeição, insatisfeito com a escolha do Planalto e exigindo um nome de sua preferência para a Corte.
A estratégia de Alcolumbre tem uma lógica precisa. Uma decisão da Mesa Diretora do Senado impede que o mesmo nome seja apreciado na mesma sessão legislativa, o que na prática empurra qualquer nova votação de Messias para 2027. Nesse cenário, o Palácio do Planalto precisaria garantir apoio à reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado para ter chance de aprovar seu indicado. A tendência de crescimento da bancada de oposição no próximo ano tornaria Lula ainda mais dependente do centrão e dos aliados do senador do Amapá.
O contexto político agrava o impasse. Além da vaga no STF, Alcolumbre ameaça emplacar o senador Rodrigo Pacheco no Tribunal de Contas da União, o que desmontaria um palanque importante para a reeleição de Lula em Minas Gerais. Some-se a isso a necessidade de o presidente, caso vença em outubro, aprovar um novo pacote de ajuste fiscal no Congresso — o que tornaria presidentes da Câmara e do Senado ainda mais decisivos. Tales Faria conclui que Alcolumbre enxerga na nova indicação de Messias não uma derrota, mas uma oportunidade de ampliar seu poder de barganha.




