Bolsonaro e filhos desconfiam de André Mendonça e de articulação com Michelle no caso Banco Master

Reprodução Instagram
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Em análise publicada no Instagram do Correio da Manhã, o jornalista Tales Faria revela que o clã Bolsonaro desconfia de uma possível operação articulada entre o ministro André Mendonça e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto a relatoria do caso Banco Master no STF produz efeitos inesperados sobre aliados de Flávio Bolsonaro.

O ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos estão desconfiados do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal — e a suspeita vai além do cargo. Segundo análise do jornalista Tales Faria, publicada no Instagram do Correio da Manhã, o clã bolsonarista questiona se há uma operação articulada entre Mendonça e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O ministro chegou ao STF graças ao empenho direto de Michelle, que enfrentou o centrão, o então presidente da CCJ Davi Alcolumbre e a resistência dos próprios filhos do ex-presidente para garantir sua indicação. É com ela, portanto, que Mendonça se sente politicamente endividado.

A desconfiança se aprofundou após Mendonça assumir a relatoria do escândalo do Banco Master, antes nas mãos de Dias Toffoli. Os bolsonaristas esperavam que seus primeiros movimentos fossem contra o governo Lula, adversário de Flávio na disputa presidencial de 2026. O que veio, porém, foi na direção oposta: Mendonça rejeitou a proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro — considerada favorável ao grupo bolsonarista — e a Polícia Federal, na prática subordinada ao ministro nesse inquérito, mirou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do União Brasil, partido que estava prestes a formalizar apoio à candidatura de Flávio. Vorcaro teria pago entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais a Ciro, além de ter elaborado pessoalmente projeto de lei apresentado pelo senador que elevava para R$ 1 milhão o seguro do Fundo Garantidor de Crédito — medida que beneficiava diretamente o Banco Master.

O movimento também teve um efeito colateral revelador: ao atingir Ciro Nogueira, a PF e Mendonça expuseram que a rejeição do Senado à nomeação de Jorge Messias para o STF tinha motivação clara — conter investigações que podem alcançar parlamentares. Tales Faria aponta que Davi Alcolumbre foi o principal articulador da derrota de Messias. Ligados os pontos, o quadro que emerge é de um tabuleiro em que interesses cruzados entre o STF, o Congresso e o campo bolsonarista se chocam — com Michelle Bolsonaro cada vez mais no centro da disputa política de 2026.

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