Um áudio divulgado pelo Intercept Brasil, obtido de aparelho celular do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, expõe o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionando o banqueiro por pagamentos destinados à produção de um filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador confirmou o pedido, mas nega irregularidades, classificando a iniciativa como um projeto privado já concluído. Segundo o Intercept Brasil, Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões para a produção. A revelação gerou uma rachadura imediata dentro do PL e colocou em xeque a viabilidade da candidatura de Flávio à presidência da República.
A cúpula do partido e da campanha passou a quarta-feira, 13 de maio, em “estado permanente de reunião”, segundo relato de integrante do PL ao jornalista Tales Faria, do Correio da Manhã. A tensão era tamanha que ninguém se dispôs a enfrentar diretamente Flávio ou o clã Bolsonaro — o senador, seus irmãos Eduardo e Carlos e o próprio ex-presidente reagiram com hostilidade a qualquer sugestão de substituição. Ainda assim, a permanência da candidatura já era tratada abertamente como o ponto central das discussões.
Nesse cenário, um único nome ganhou força entre aliados e integrantes do partido fora da família: o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, pré-candidata ao Senado por Brasília e presidente do PL-Mulher. Michelle sempre foi a preferida do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e é vista como a única figura capaz de enfrentar Lula com competitividade. O temor no PL, no entanto, é que Jair Bolsonaro tente impor o nome de Carlos — avaliado internamente como sem chances eleitorais — justamente para evitar que Michelle se consolide como sua principal herdeira política.




