O ministro Kássio Nunes Marques assumiu nesta terça-feira, 12 de maio, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com André Mendonça como vice. Ambos foram nomeados ao Supremo Tribunal Federal durante o governo Jair Bolsonaro, mas o clã do ex-presidente traça uma distinção clara entre os dois: Mendonça é visto como verdadeiramente bolsonarista, enquanto Nunes Marques representa, na avaliação do grupo, o centrão — fruto de um acordo mais amplo que incluiu o respaldo de senadores como Renan Calheiros para sua aprovação no Senado.
O próprio Bolsonaro tem alertado aliados de que não considera garantidas as decisões do novo presidente do TSE em favor do grupo. O histórico de Nunes Marques é ambíguo para os bolsonaristas: se por um lado autorizou a realização de cultos religiosos durante a pandemia em 2021 — decisão muito comemorada pelo campo evangélico —, por outro se alinhou aos colegas na condenação dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e tem sido um defensor firme da inviolabilidade das urnas eletrônicas, posição diametralmente oposta à do clã Bolsonaro.
A avaliação predominante no entorno do ex-presidente, conforme apurou o jornalista Tales Faria no Correio da Manhã, é que Nunes Marques deverá ser mais receptivo ao campo bolsonarista do que seus antecessores na presidência do TSE — entre eles Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber. Não se trata, porém, de confiança plena: trata-se de uma aposta calculada em um presidente de perfil mais negociável, em ano eleitoral decisivo.




