A derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal gerou um impasse delicado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo análise do jornalista Tales Faria publicada no Correio da Manhã, Alcolumbre saiu da votação em posição de força, impondo, na prática, uma condição não oficial: qualquer novo nome enviado por Lula ao STF precisaria ter o aval do senador. Para Lula, aceitar essa lógica significaria abrir mão de uma prerrogativa central da Presidência da República — e abrir caminho para novas perdas de poder.
O cenário mudou com a 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira pelo ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF. A operação mirou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e um dos articuladores da derrubada de Messias, acusado de receber vantagens do dono do banco, Daniel Vorcaro, e de apresentar uma PEC elaborada por assessores do banqueiro preso. Tales Faria destaca que, por ter sido ordenada por Mendonça — ministro de origem bolsonarista —, a operação não pode ser atribuída a manobras do Palácio do Planalto, o que lhe confere ainda mais peso político.
O ponto central da análise é o efeito indireto sobre Alcolumbre. O presidente do Senado acumula vulnerabilidades próprias ligadas ao escândalo do Master e agora enfrenta a possibilidade de também entrar na linha de tiro das investigações. Nesse novo equilíbrio, Lula recupera margem para indicar um nome ao STF sem precisar se submeter à chancela de Alcolumbre — bastando evitar um confronto direto. Tales Faria encerra a coluna com uma sugestão velada: uma mulher negra, com notório saber jurídico e reputação ilibada, poderia ser o nome capaz de encerrar o imbróglio.
Confira a análise do jornalista Tales Faria publicada no Correio da Manhã




