A 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, provocou ondas no Congresso Nacional. Conforme apurou o jornalista Tales Faria no Correio da Manhã, parlamentares interpretam a ação como uma resposta de Mendonça à derrubada da indicação de seu aliado, o advogado-geral da União Jorge Messias, para uma vaga no STF — movimento atribuído à articulação da cúpula do centrão liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A operação resultou em mandado de busca e apreensão expedido contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a pedido da Polícia Federal, que investiga conexões entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e políticos influentes em Brasília.
A relação entre Mendonça e Alcolumbre é marcada por tensão antiga: quando o ministro foi indicado ao STF ainda no governo Bolsonaro, Alcolumbre — então presidente da CCJ — teria deliberadamente atrasado sua sabatina. Agora, o contexto se agrava com investigações que já respingaram em aliados do presidente do Senado, como a Operação Zona Cinzenta, deflagrada em fevereiro, que apura a aplicação de R$ 400 milhões da Amapá Previdência em letras financeiras do Banco Master. A PF nega qualquer vínculo entre o timing da operação e os embates políticos recentes, atribuindo a escolha do momento à iminente divulgação dos anexos da proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.
A movimentação gerou reações no Congresso em espectros opostos. O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu a instalação de uma CPMI e de uma CPI para investigar o Banco Master, afirmando que a nova fase da operação expõe a ligação do governo Bolsonaro com o esquema. Já os parlamentares bolsonaristas ficaram surpresos com a atuação de Mendonça — ministro que eles consideram aliado — contra integrantes do centrão, avaliando que a ação acabou por fortalecer o discurso do PT no episódio.
A análise completa de Tales Faria está no Correio da Manhã.




