A Folha de São Paulo revelou que o Congresso Nacional está aprovando uma série de pacotes de benefícios às vésperas das eleições — pisos salariais, jornadas reduzidas, aposentadorias antecipadas e regras de reajuste —, medidas que podem gerar dívidas bilionárias não apenas para o governo federal, mas também para estados e municípios. Segundo o jornalista Tales Faria, em análise publicada em seu canal no YouTube, só o aumento de pisos salariais pode custar 49 bilhões de reais por ano às prefeituras, e a maioria dos projetos tramita sem cálculo de impacto nem indicação de fonte de custeio.
O sinal de alerta no Palácio do Planalto foi aceso após a derrubada da indicação de Jorge Messias pelo Senado. Tales Faria aponta que o governo teme que, diante de sinais de fragilidade política do presidente Lula, o Congresso acelere a aprovação de pautas-bomba em todas as direções. Integrantes da equipe econômica, da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais já mapeiam as propostas mais críticas para negociar mudanças e tentar conter os avanços. Entre os projetos que mais preocupam estão: a ampliação do Simples Nacional (impacto de cerca de R$ 50 bilhões), repasse mínimo ao SUAS (R$ 36 bilhões em quatro anos), uso do Fundo Social do Pré-Sal para refinanciar dívidas do agronegócio (R$ 30 bilhões), aposentadoria especial para agentes de saúde (R$ 29,3 bilhões em dez anos) e aumento do piso de médicos e dentistas na rede pública (R$ 9,2 bilhões só no primeiro ano).
Tales Faria encerra sua análise com uma referência histórica: o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha utilizou estratégia semelhante para desestabilizar o governo Dilma Rousseff, puxando projetos dos bastidores do Congresso até tornar inviável a permanência da então presidente. O paralelo serve de alerta sobre o que pode acontecer caso o governo Lula perca ainda mais força política e o Legislativo decida avançar sem freios sobre a agenda fiscal.
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