O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu com uma frase que resume o novo equilíbrio de forças entre o Executivo e o Legislativo na nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal: “O presidente decide quando e quem ele indicará, mas é o Senado que decide se e quando será aprovado. Ele envia, eu pauto e o Senado vota.” A declaração foi feita após o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), anunciar que Lula irá indicar um novo nome para o STF.
O recado tem endereço certo e história conhecida. Alcolumbre havia sugerido ao presidente o nome do senador Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo, mas foi ignorado. Lula preferiu enviar o nome de Jorge Messias — ex-assessor do líder governista Jaques Wagner no Senado — sem uma negociação prévia com o presidente da Casa. O resultado foi uma crise silenciosa que culminou na derrota do nome no plenário. Alcolumbre se sentiu traído, chegou a declarar guerra a Wagner e, segundo Tales Faria, ficou determinado a impor uma derrota ao governo para que futuras indicações passassem a ser negociadas antes de serem anunciadas publicamente.
O episódio também revela um desconforto mais amplo do centrão com as escolhas de Lula para o STF. As indicações anteriores de Cristiano Zanin — advogado pessoal do presidente — e de Flávio Dino, visto como político de esquerda que interferiu na distribuição de emendas parlamentares, já haviam gerado insatisfação. Parte do centrão chegou a se aliar aos bolsonaristas em iniciativas de limitação aos ministros. Agora, com o cristal quebrado, como escreve Tales Faria no Correio da Manhã, o caminho provável é o envio de um novo nome ao Congresso — desta vez, com a negociação que deveria ter acontecido desde o início.




