O jornalista Tales Faria revelou, em sua coluna no Correio da Manhã, que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos já explicaram ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, os motivos da resistência ao nome da senadora Tereza Cristina como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo a apuração, o próprio Valdemar sintetizou a avaliação repassada por Bolsonaro: “O problema da senadora é que ela é boa demais. Mas para o centrão.” O temor central é que, na Vice-Presidência, ela funcione como um instrumento do centrão para uma eventual articulação de impeachment — exatamente como Bolsonaro avalia que Michel Temer teria operado no governo Dilma Rousseff.
A comparação com Temer não é retórica. Tales Faria aponta que Tereza Cristina teria base de apoio ainda maior do que a que o ex-vice-presidente dispunha: como ex-ministra da Agricultura e ex-presidente da bancada ruralista, ela conta com a proximidade de cerca de 300 deputados e 47 senadores ligados ao agronegócio, além de trânsito na direita moderada e em setores da esquerda. O jornalista destaca ainda que a senadora almeja a presidência do Senado na sucessão de Davi Alcolumbre, e avalia que sua moderação pode ser um trunfo tanto num cenário de vitória do PL quanto numa eventual reeleição de Lula.
De acordo com a análise publicada por Tales Faria no Correio da Manhã, o nó da questão está justamente no perfil de Tereza Cristina: por não integrar o bolsonarismo de raiz, ela não goza da confiança plena do clã. Os Bolsonaro sabem que a chamada “Faria Lima” nunca teve afinidade real com o projeto político da família — e uma vice com trânsito no empresariado, no agro e com bancada forte poderia, nas palavras do jornalista, se tornar “um verdadeiro chamariz para o impeachment”.
O texto completo está disponível na coluna de Tales Faria no Correio da Manhã.




