O jornalista Tales Faria, em participação no programa da ICL Notícias, revelou que a tramitação das PECs que propõem o fim da escala 6×1 pode esconder uma manobra legislativa de grande impacto fiscal: a volta da desoneração da folha de pagamento das empresas. Segundo Tales Faria, o próprio relator das PECs, o deputado Paulo Azi, do União Brasil da Bahia, já sinalizou no relatório da CCJ a possibilidade de compensações fiscais — leia-se redução de tributos sobre a folha — como forma de mitigar os custos da redução da jornada de trabalho.
De acordo com a apuração de Tales Faria publicada em sua coluna no Correio da Manhã, o mecanismo é clássico no jargão parlamentar: o chamado “jabuti”, inserção de matéria estranha ao projeto original. O jornalista destacou que o líder do PL já declarou publicamente que o governo precisará oferecer contrapartidas robustas às empresas para obter apoio ao projeto. A desoneração, criada em 2011 e negociada por Lula para extinção gradual até 2027, voltaria a ser debatida justamente quando o Centrão usa o apelo popular da pauta trabalhista como moeda de troca.
Tales Faria alertou ainda que o movimento revela a lógica do Centrão de instrumentalizar demandas legítimas dos trabalhadores para avançar interesses próprios. Enquanto nenhum parlamentar quer aparecer votando contra o fim da escala 6×1 às vésperas de um ano eleitoral — tanto que a votação na CCJ foi simbólica —, os articuladores já preparam o terreno para inserir benefícios fiscais ao empresariado no mesmo pacote. O texto completo da análise está disponível na coluna do jornalista no Correio da Manhã.




