PT pressiona Sidônio Palmeira a deixar governo para comandar pré-campanha de Lula

Sidônio Palmeira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Sidônio Palmeira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Comunicação enfrenta pressão interna do PT para abandonar o cargo e se dedicar integralmente à estratégia eleitoral de Lula. A preocupação do partido cresce com o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e com falhas percebidas na comunicação do governo.

O ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, está sob pressão do PT para deixar o governo e se dedicar integralmente à pré-campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação dentro do partido é de que Sidônio acumula funções incompatíveis ao atuar simultaneamente como ministro e responsável pelo marketing eleitoral — sobrecarga que, segundo petistas, compromete o desempenho em ambas as frentes. É o que apurou o jornalista Tales Faria em coluna publicada no Correio da Manhã.

O próprio Sidônio, no entanto, resiste à pressão. Seu plano é permanecer no governo, tirar férias de 15 dias em junho para estruturar a campanha e entrar em licença apenas no final de setembro, quando pretende assumir pessoalmente a condução do segundo turno. Para cobrir o período anterior, já trouxe a Brasília seu sócio na agência Leiaute, o publicitário Raul Rabelo. A insatisfação petista, porém, vai além da sobrecarga: o partido cobra respostas mais eficazes diante do crescimento nas pesquisas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e da repercussão negativa do escândalo do banco Master sobre a imagem do governo.

Nos bastidores, petistas não apenas defendem a saída de Sidônio como exigem que seu substituto seja “alguém de peso” — um político do PT. O nome do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), antecessor de Sidônio no cargo, chegou a ser cogitado, mas Lula deve mantê-lo como candidato ao Senado. Dentro da estrutura da pasta, os substitutos naturais seriam Laércio Portela, secretário de Comunicação Social, e Tiago Cesar dos Santos, secretário-executivo. O pano de fundo da disputa é estratégico: o PT quer antecipar o enfrentamento com o bolsonarismo, que na estratégia original estava previsto apenas para o segundo semestre.

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