Kassab admite negociar apoio do PSD no 2º turno, mas Bolsonaro rejeita ceder poder

Gilberto Kassab e Flávio Bolsonaro | Foto: Cesar Itiberê e Lula Marques - Agência Brasil
Gilberto Kassab e Flávio Bolsonaro | Foto: Cesar Itiberê e Lula Marques - Agência Brasil
O jornalista Tales Faria analisa, no Correio da Manhã, a estratégia de Gilberto Kassab de negociar o apoio do PSD no segundo turno de 2026 — e a resistência da família Bolsonaro em ceder espaço de poder a qualquer aliado.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, declarou publicamente que o partido pode negociar seu apoio a outro candidato no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 — caso Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD, alcance ao menos 15% dos votos no primeiro turno. A declaração foi feita durante um evento do banco Bradesco em São Paulo, na terça-feira (7), e repercutiu diretamente nos bastidores da família Bolsonaro. A análise é do jornalista Tales Faria, publicada no Correio da Manhã.

Segundo Tales Faria, a movimentação de Kassab não surpreendeu o clã Bolsonaro, mas gerou desconforto. Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL com 37% das intenções de voto na pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (8) — ante 40,4% de Lula e apenas 6,5% de Caiado —, já avisou aliados que não pretende abrir mão do controle de um eventual governo: “O Kassab é guloso, vai pedir demais. Se vencermos, é para governar”, disse o senador.

O cenário traçado por Tales Faria revela um jogo de forças complexo: Kassab mantém boa relação com o presidente Lula e pode oferecer o apoio do PSD em diferentes direções no segundo turno, enquanto Caiado, mais próximo ideologicamente ao bolsonarismo, dificilmente apoiaria o PT. A negociação entre PSD e PL tende a ser tensa — e o desfecho pode depender menos de afinidades políticas e mais de quanto poder cada lado estiver disposto a ceder.

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