O jornalista Tales Faria participou do ICL Notícias e trouxe uma análise detalhada sobre a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Segundo Tales, o presidente Lula avalia que o nome do indicado já conta com votos suficientes para aprovação no Senado — e essa percepção não é exclusiva do Palácio do Planalto. A maioria dos senadores e até Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro, já reconhecem que Messias tem o apoio necessário para ser confirmado. O suporte inclui ainda a bancada evangélica, com Michelle Bolsonaro e Damares Alves, além do ministro do STF André Mendonça, que foi o primeiro integrante da Corte a embarcar na campanha pelo candidato.
Diante desse cenário, Tales Faria explica que Lula decidiu encerrar a queda de braço com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que resistia à indicação. A trama política por trás do impasse envolve o desejo de Alcolumbre de ver Rodrigo Pacheco na presidência do Senado — o que não aconteceu, numa estratégia articulada pelo líder do governo na Casa, Jaques Wagner, que sabia da preferência de Lula em preservar Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais. Com maioria consolidada na CCJ e no plenário do Senado, e com Alcolumbre enfrentando dificuldades na eleição do Amapá, Tales avalia que o caminho político mais sensato para o presidente do Senado é esfriar o jogo e se entender com Lula.
Tales Faria também explicou o rito da sabatina: Messias passará pela Comissão de Constituição e Justiça, cujo presidente Otto Alencar já declarou estar pronto para pautar a votação assim que Alcolumbre der o aval, e depois vai a plenário, onde precisa de maioria simples. O jornalista destacou que a prática usual dos indicados é visitar gabinetes, fazer campanha pessoal junto aos senadores e demonstrar apreço pela Casa. Os votos contrários devem se concentrar no núcleo duro do bolsonarismo, mas são minoria.
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