Lula, Faria Lima e a reunião com heterodoxos: o recado

Crédito: Instituto Lula
Crédito: Instituto Lula
Reunião de Lula com economistas heterodoxos, sem Galípolo e Lara Resende, foi lida como recado ao mercado. Veja a análise de Tales Faria.

Se há uma coisa que o presidente Lula não aceita, como ex-sindicalista, é parecer marionete da turma do andar de cima, ou seja, da Faria Lima e do mercado. Foi assim que li a reunião de quinta-feira (5) com a área econômica do governo e conselheiros.

O encontro deixou o mercado de orelha em pé. Escrevi na coluna que Lula manda um recado: não aceita ser comandado, nem por lobby de fora do governo, nem por lobby de dentro.

Quem estava na reunião com Lula?

Participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, quatro ministros e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. De fora do governo, estiveram o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho, a economista Laura Carvalho e Eduardo Moreira, ex-sócio do Banco Pactual e apresentador do ICL Notícias.

Desse grupo, Fernando Haddad e Alckmin são os menos heterodoxos. Para desespero da Faria Lima.

Que recado vem das ausências?

Também foram entendidos como recados os nomes que ficaram de fora. O primeiro é André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, autor de uma proposta apoiada por nomes de peso no governo. Os outros dois têm o apoio da Faria Lima: o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O que propõe o plano de Lara Resende?

Em 25 de setembro, Lara Resende publicou o artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”. Pela proposta, o Banco Central anunciaria a redução gradual da Selic ao longo de 12 meses, até 7,5%. Um Conselho Fiscal e Monetário fixaria metas de quatro ou cinco anos para a inflação e para um crescimento de cerca de 5,5%. O apoio de governistas deixou o mercado em pânico.

Por que Lula está decepcionado com Galípolo?

Segundo Lula, o presidente do Banco Central se bandeou para o outro lado da trincheira. Galípolo foi indicado pessoalmente por Lula para a equipe de Haddad e levado ao Banco Central com a missão de baixar os juros. Dizia até apoiar as ideias de Lara Resende. Hoje, na avaliação de Lula, é a sua grande decepção.

E o lado heterodoxo?

Mercadante é considerado o principal adversário, dentro do governo, das teses ortodoxas, e Lula avalia que o BNDES cumpre com maestria o papel de incentivar a produção. Coutinho, do mesmo campo, é um dos conselheiros mais próximos do presidente.

Alckmin, por sua vez, não é de esquerda, nem petista, nem heterodoxo. Estava deslocado numa reunião cheia de economistas heterodoxos. Talvez por isso seja um nome bem aceito no mercado para ministro da Economia.

A íntegra da coluna, com o perfil de cada participante, está no Correio da Manhã.

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Análise publicada originalmente no Correio da Manhã, em 6 de novembro de 2026. Leia a coluna completa

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