Lula e as reformas do último mandato: o que vem no discurso

Crédito: reprodução
Crédito: reprodução
Lula pretende usar o último mandato para concluir reformas: Judiciário, tributária e Segurança. Veja o que deve estar no pronunciamento.

O presidente Lula pretende fazer do último mandato um arremate que marque suas quatro gestões no Planalto. A ideia é concluir projetos e reformas inacabadas. Ele quer que o pronunciamento do próximo domingo seja um chamamento ao trabalho conjunto com o Congresso e com o Judiciário, e à paz na política e nos mercados.

Lula acha que é preciso um novo período de produção e de delicadeza, e até de pôr fim à polarização com a extrema direita que marcou os últimos anos. Não gosta de dizer que será um mandato reformista, porque não crê que tenha deixado a casa por reformar. Mas deve anunciar reforma no Judiciário, a regulamentação da reforma tributária, uma reforma na área de Segurança e ajustes não detalhados na economia.

Como seria a reforma do Judiciário?

Reformar o Judiciário é fundamental para pacificar o país, sobretudo o Congresso. Lula deve falar em juntar juristas e sociedade civil para enviar ao Congresso uma proposta que apazigue os ânimos, especialmente em relação aos impeachments de ministros do Supremo. Entre as ideias estão idade mínima e tempo fixo de mandato para ministros das cortes superiores. Pode-se chegar a critérios para a advocacia de parentes dos ministros e até a um Código de Ética.

A reforma tributária vai andar?

Planalto e Fazenda debatem com políticos e empresários os decretos, as regulamentações e as alíquotas, como a CBS e o chamado imposto do pecado. Lula deve insistir que concluirá a reforma em seu governo, mas está sensível aos pedidos de adiamento da troca de PIS e Cofins pela CBS e da criação do Imposto Seletivo. Deixará ao Congresso a gestão do tempo. Vai sugerir que não quer assustar o mercado.

Qual o papel da PEC da Segurança?

O presidente festejará a aprovação da PEC da Segurança, que permitirá criar o Ministério da Segurança para que o governo federal participe do combate às organizações criminosas nos estados. Lula vê o Sistema Único de Segurança Pública, previsto na PEC, como uma reforma de fato.

Ele aponta a votação como prova de que monta uma base sólida no Congresso e estuda agradecer o apoio de parlamentares governistas e não governistas. O MDB já acena: o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, disse que “o MDB é o partido do diálogo” ao divulgar reunião com Edinho Silva, presidente do PT.

Como Lula pretende tratar economia, bets e Trump?

Um dos objetivos principais é acalmar o mercado e convencer investidores de que não fará aventuras na economia. Ele também quer deixar clara a preocupação com os programas sociais. Lula pedirá apoio popular para manter a medida provisória de 25 de outubro que proíbe as bets e os cassinos online. Não deve citar Donald Trump: não quer briga, até porque talvez tenha encontro bilateral com ele em Miami, na cúpula do G20, em dezembro.

O que vem agora

Lula está seguro de que Davi Alcolumbre será reeleito presidente do Senado e Hugo Motta, da Câmara. Considera os dois decisivos para o sucesso do governo, pelo menos nos dois anos seguintes.

Leia também

PEC da Segurança: 73 a 0 e o plano de Lula no Congresso

Reeleição de Alcolumbre: acordo isola o PL no Senado

Análise publicada originalmente no Correio da Manhã, em 5 de novembro de 2026. Leia a coluna completa.

Compartilhe: