Brasil aposta na negociação com Trump após novo tarifaço e defende o Pix como prioridade

Crédito: Ricardo Stuckert - Agência Brasil
Crédito: Ricardo Stuckert - Agência Brasil
Após a surpresa inicial com o novo tarifaço norte-americano, o governo Lula avalia que há mais canais de negociação com Washington do que em abril de 2025. O jornalista Tales Faria revela, no Correio da Manhã, os bastidores da estratégia brasileira — que inclui a defesa intransigente do Pix nas tratativas comerciais.

O anúncio de um novo tarifaço do governo norte-americano contra produtos brasileiros gerou surpresa inicial no Palácio do Planalto, que chegou a superestimar as possíveis consequências da medida. Passado o susto, porém, a avaliação do governo Lula é de que o cenário atual oferece mais espaço para negociação do que o primeiro tarifaço, lançado por Donald Trump em abril de 2025. A meta mínima é retornar ao patamar alcançado em novembro daquele ano, quando, após tratativas que envolveram o próprio presidente Lula, Trump retirou o acréscimo de 40% sobre itens como café, carnes e frutas. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi considerado o grande responsável pelo êxito daquele processo.

O fator que alimenta o otimismo do governo é um encontro que não existia na rodada anterior: Lula e Trump já se viram pessoalmente, trocaram elogios e, segundo o relato de ambos, “pintou um clima” entre os dois. A avaliação brasileira é de que há agora canais diretos e desobstruídos de comunicação. Ainda assim, o entendimento no Planalto é de que Trump, fiel ao seu estilo, tende a endurecer o tom no início das negociações para só depois ceder. Alckmin deve ter papel ativo nessa nova rodada, mas há um complicador: desta vez ele é candidato à reeleição e precisará acompanhar Lula na campanha.

Como revela o jornalista Tales Faria no Correio da Manhã, além de recuperar o terreno perdido nas tarifas, o Brasil tem uma exigência inegociável na mesa: a defesa do Pix. O Escritório de Comércio dos EUA teria uma visão equivocada sobre o sistema de pagamentos brasileiro, interpretando-o como ameaça às empresas de cartão de crédito norte-americanas. A Febraban argumenta o contrário — o Pix amplia a bancarização e, portanto, expande o mercado financeiro como um todo. Convencer Washington dessa lógica será prioridade da equipe econômica brasileira nas negociações.

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