Em coluna publicada no Correio da Manhã, o jornalista Tales Faria revela que a defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, trabalha com um placar de 5 a 5 entre ministros aliados e não aliados numa eventual votação decisiva sobre o caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os advogados, as brigas internas na Corte causam confusão suficiente para o processo terminar em “pizza”. O voto de minerva caberia, a princípio, ao presidente do STF, Edson Fachin, que, segundo a coluna, é um garantista tão titubeante que tem beneficiado o ex-banqueiro. Como sinal de que o empate é possível, o texto cita a última sessão em que a Corte discutiu as acusações de André Mendonça contra Alexandre de Moraes, encerrada em 4 a 4 com as ausências de Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
A defesa já pediu a revogação da prisão preventiva de Vorcaro, decretada em 4 de março, alegando excesso de prazo, ausência de denúncia e indefinição sobre a condução dos casos relacionados ao banco. O inquérito está parado no gabinete de Fachin desde a semana passada, quando ele retirou a relatoria de Mendonça. O pedido cita a sessão plenária do dia 15, classificada como vexaminosa até por ministros. Na ocasião, o plenário discutiu uma questão de ordem sobre relatoria e competência, e a sessão terminou após pedido de vista de Flávio Dino, sem decisão nem discussão sobre o mérito. O debate ocorreu depois que Mendonça tornou público um relatório com conversas de Vorcaro com Moraes.
Segundo aliados de Vorcaro, os maiores interessados na “pizza” são Moraes e Mendonça, que protagonizam as maiores brigas do STF. Moraes, para estancar vazamentos sobre os contratos de sua mulher com o banco. Mendonça, porque, segundo o governo, já vinha beneficiando Vorcaro antes de ser afastado da relatoria. A eles poderiam se juntar ministros com alguma proximidade com o ex-banqueiro: Toffoli, cujos familiares, segundo a imprensa, mantiveram negócios com fundos ligados ao banco, e Nunes Marques, cujo filho teria recebido pagamentos do banco, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal. Também é citado Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, que teve trocas de mensagens relatadas pela PF. Do outro lado, segundo os defensores, estariam Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, mais ligados ao governo, que poderiam ser acompanhados por Cármen Lúcia e Fachin. O problema, aponta a coluna, é o garantismo de Cármen e de Fachin, que pode levá-los a votar a favor de Vorcaro conforme os argumentos da defesa. É nessas brechas que os advogados tentarão anular o processo. Leia mais no Correio da Manhã.




